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Estudando o Liber Null #07 – Liber Lux: Invocação e Psicocosmos

Praise whatever you want
folks!
Vamos a mais um Estudando o Liber Null! (pelos olhos deste que vos tecla, claro) aqui no Magickando!
Hoje falaremos dos psicocosmos e como chamar a galera para a festa que é DENTRO de você!

INVOCANDO

Invocação é o ato de “chamar para dentro”, vem de invocatio no latim, e tem sua raiz na ideia de chamar por ajuda, por socorro para uma causa, muitas vezes de origem extra comum, ou sobrenatural.
Uma coisa bacana sobre o Kia (de maneira ampla pode ser entendido como o seu Eu, sua Vontade, Seu Sagrado Anjo Guardião, o Você que Vale) é que ele não é invocável de maneira permanente, você pode se aproximar dele, conversar com ele, mas ele não é algo plenamente manifestável, tu sincroniza um pouco com o Kia e depois já era. Neste sentido é mais fácil compreender o contato com Kia como um projeto a ser desenvolvido, um daqueles para a vida inteira, as vezes mais de uma.
Robert Anton Wilson em seu (PUTA) texto (FODÁSTICO) Tornar-se O Que Se É nos lembra que:
[O] rebanho humano começou com gênios em potencial, antes que a conspiração tácita da conformidade social enferrujasse seus cérebros. Todos eles podem se redimir dessa liberdade perdida, se trabalharem duro pra isso. Eu trabalhei por isso por 50 ou mais anos até agora, e ainda acho partes de mim agindo como um robô ou um zumbi em ocasiões. Aprender a ‘Tornar-se O Que Se É’ (como na frase de Nietzsche) leva o tempo de uma vida,  mas ainda parece ser o melhor jogo da cidade.
É o melhor jogo da cidade, se não for o único jogo a se jogar é com certeza um que realmente vale a pena. E não digo isso para você buscar ser um Santo, um Messias, ou qualquer coisa judaico-cristã (ou insira aqui a sua religião) de valores, tô falando de ser você poxa! Seja lá o que isso queira dizer.
Mas antes de falarmos sobre métodos de Invocação, precisamos falar sobre os Psicocosmos, os mapas internos, os caminhos da parada.

“O MAPA NÃO É O TERRITÓRIO”

Invista alguns momentos pensando nessa genial frase do Mago Alfred Korzybski. Você não é a imagem que tem de si mesmo, o mapa da rua não é a rua, o Google Maps não é a terra, as fotos do Hubble não são aquele fragmento do universo, os conceitos psicológico não são o seu interior, a kaballah não é seu interior. Todas essas coisas são ferramentas, referências, parâmetros. Nada disso é o território propriamente dito.
É importante ter esse conhecimento, sério. É extremamente comum que a galera confunda mapa e território e sacralize o papel e não o ser, o templo é o corpo e o conteúdo e não texto e a igreja.
O Pete gasta uma página inteira com ilustrações que apresentam Psicocosmos possíveis para que você desenvolva o processo de explorar-se internamente, o processos alquímicos, a astrologia, os sete planetas clássicos, a cabala, i-ching, entre tantos outros possíveis. Ele também lembra que muitos sistemas são inconsistentes, confusos, e sempre acho engraçado com alguns que são completamente alheios a cultura BR, utilizar sistemas não-funcionais (confusos, não compreendidos claramente, sem relação com a cultura do Magista, etc..) pode ser contraproducente na melhor das hipóteses, inútil ou até embaralhar mais ainda a parada toda da compreensão interna (é ai que temos margem para coisas loucas como pagãos brasileiros que comemoram Sanhaim em outubro ignorando o ciclo da terra aqui no hemisfério sul, e não to dizendo que isso é errado. Só não tem relação com nosso lado da terra).

DEUSES PARA DAR E VENDER

Comumente Magistas usam panteões pagãos como Psicocosmos pois “um panteão mítico completo concentra todas as características mentais do homem” (CARROLL, p44), isso levanta umas questões bacanas, será que os deuses não são uma forma do ser humano entender-se? uma avessa ao conceito de que a consciência é uma criação divina/do universo para compreender-se, assim seriam os deuses criações humanas no intento de esquadrinhar a si próprio enquanto recalca esse pensamento projetando-o para fora de si? O Homem criou Deus para que esse O criasse? Ou seriam as divindades uma existência objetiva que se permite conhecida? Legal né? Mas na real, tanto faz.
O importante é os resultados disso: conhecer o Kia. A formação de um culto religioso, o estreitamento da sua fé com uma divindade, e coisas nesse sentido, a não ser que este seja o seu objetivo não é um sucesso, é só mais tempo perdido.

QUAL PSICOCOSMOS USAR?

Sou um fã de Psicocosmos, confesso. Amo dar uma olhada nos muitos panteões possíveis e interpretações cabíveis, trocar de psicocosmos também é um puta exercício caótico de programação/desprogramação, eu curto muito a visão “simplificada” de mundo do Xamanismo Hawaiano, com Lono, Kane e Ku, curto muito a Kabbalah Hermética, que realmente pode encaixar (ou marretar) uma porrada de coisa – mas não confunda a sua simplificação na Kabbalah com a coisa em si, a Kabbalah Hermética é como uma ponte, o corredor do prédio, tu vai no andar de Hod e acessa os quartos que são mundos inteiros e complexos – e caso você prefira algo “menos barroco” do que essas ultimas, eu aconselho os Oito Circuitos de Consciência do Tim Leary! (sério, pesquise sobre, é bem bacana).

RITUAL STANDART DE INVOCAÇÃO

“mas como eu faço para chamar us deus tuto?” pergunta o xóvem.
Aqui vai um ritual bem “standart”, para você testar uma invocação, é uma formula que possui o mínimo necessário para rolar a parada e possível para todos vocês! Vamos lá:
1º – Escolha uma divindade ou “entidade” para contatar. Tem algumas que são mais simples para quem começa, por terem em sua “natureza” a comunicação ou o contato, entidades conhecidas como “psicopompos” são muito bacanas nesses primeiros passos, como Hermes, Mercúrio, Ganesha, Toth, Paulo de Tarso, São Pedro, Virgem Maria, Exu, Papa Legba, Deméter, Caronte, ou se você quer experimentar umas paradinhas diferentes, vá para a pop magic e use o Flash, Metrom dos Novos Deuses da DC, Ninguém da Marvel porque você não é otário, etc…
2º – Aprenda o que puder sobre a divindade escolhida. Eu penso que esse momento é para você “alinhar” seu interior com a “natureza informacional” da entidade. Uma visão cética sobre a coisa toda é que você esta “criando o personagem” que você vai acreditar entrar em contato, em um processo semelhante a escritores que declaram que a partir de um determinado momento suas personagens simplesmente “falam” dentro dele.
[“POSSO EXCOLHER UM DEMONIÃO CRAMUNHADO?” me pergunta o xóven. “Claro” respondo com serenidade. Só espero que você seja forte o suficiente para lhe dar com os sentimentos, impressões e informações “negativas” impressas nessa criatura, se duvida não faça. Ou faça, mas o problema é seu – mantenha o telefone do amigo umbandista na discagem rápida]
3º – Prepare o local e esteja de acordo com o evento. Separe umas boas horas para isso, seu Diário Mágico, acrescente parafernalhas que te relacionem à divindade escolhida, imagens, action figures, musicas temática, incensos e coisas assim. Vista-se de acordo também, ou não vista nada (minha escolha habitual).
4º – Banimento.
5º – Chame a Divindade. Descubra o ponto cantado da entidade, se existem chamados bastante utilizados, um lema, invoque a força da aceleração e tome energético, sente na poltrona como Métrom, dance e beba vinho em honra a Dionísio, deite sobre balas e entoe o OhmGanganapatayeNamaha, se não houver uma forma clássica de chamar a entidade, invente uma. FAÇA COM VONTADE e FERVOROSAMENTE.
6º – Ta rolando. “Como sei que esta rolando o contato?” o Grant Morrison costuma dizer que “a chegada do Deus será inconfundível”, por sentir um senso de presença, de companhia, enchimento, energia, tudo isso para dizer que você não é mais só você. Outro ponto é “ouvir” uma voz com alguma autonomia na sua cabeça, normalmente com um tom familiar, mas trazendo informações que você normalmente não tem acesso.
7º – Mantenha a sensação de contato e TUDO é relevante. Tome nota de tudo, por mais besta e sem sentido que seja, Crowley recebeu o Liber Al e deixou de lado por não saber e nem ligar para oque era. Aproveite o rolê e veja o quanto consegue aprender com tudo oque esta acontecendo.
8º – Volte a si e faça o Banimento. Tenha certeza que o Link foi cortado, se não, Banimento novamente.
9º – Anote no Diário Mágico.
10º – Seja o mais mundano possível. Vá conversar com a sua família sobre as eleições de 2018, pegar uma fila, lavar uma louça vendo novela, pague uns boleto, entre em alguma discussão inútil no facebook, veja Big Brother, faça o que for VOLTE para o mundano.
Conta ai como foi.
Sucesso!

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